Petróleo Brent Crude em 2025: A base do nosso estilo de vida

d.molina
Dmitrij
Molina
Petróleo Brent Crude em 2025: A base do nosso estilo de vida

O petróleo Brent, uma importante referência global para preços de petróleo, é originário do Mar do Norte e representa uma mistura de vários tipos de petróleo. Ele serve como um padrão de preço para mais de dois-terços do petróleo bruto do mundo negociado internacionalmente, influenciando mercados de energia, políticas e econômicas e geopolítica. Sua precificação é geralmente usada para aferir a saúde econômica global, já que o petróleo bruto é um grande motor de atividade industrial e consumo de energia.

Isso torna o petróleo Brent um instrumento de negociação especialmente atraente devido à sua alta liquidez e sensibilidade a eventos macroeconômicos. Se o preço aumenta devido a tensões geopolíticas, ou caem por problemas de sobre-oferta, o fluxo constante do fluxo do valor do Brent o torna um ativo-chave para participantes do mercado em 2025.

Fatores históricos do preço do petróleo Brent

Como para qualquer outra commodity, o preço do Brent é determinado por uma miríade de fatores, que podem todos ser reduzidos a dinâmicas de oferta e demanda, e geopolíticas.

Demanda de petróleo

Não será exagero dizer que a economia moderna é completamente baseada no consumo de petróleo. De fato, desde 2005 a demanda por petróleo aumentou em 25%, de 83,65 milhões de barris por dia (bpd) para 104,46 milhões bpd projetados para o fim de 2024.

O três maiores consumidores de petróleo hoje são os EUA (18,98 milhões bpd), China (16,57 milhões bdp), e Índia (5,44 milhões bpd), que, juntos, somam mais de um terço da demanda global. Dados econômicos e eventos políticos nestes países geralmente impactam os preços, com participantes de mercado aferindo se o consumo deve aumentar ou diminuir.

Como mostrado no gráfico acima, a demanda por petróleo nunca diminuiu ao longo dos últimos 20 anos, exceto com as consequências da crise financeira de 2008 (de 85,9 para 84,8 milhões bpd no período 2008-2010), e durante a pandemia de COVID em 2020, quando a produção global parou por quase um ano. Consequentemente, o consumo de petróleo está intimamente ligado à expansão econômica, desacelerando quando as condições macroeconômicas globais pioram.

Outro fator que afeta negativamente a demanda por petróleo é o aumento recente de combustíveis não-fósseis e renováveis. O apelo crescente por esses tipos de fontes de energia se origina diretamente da necessidade global de reduzir a poluição, diversificando a produção local e atendendo à crescente necessidade de melhorar as políticas nacionais de segurança energética.

De qualquer forma, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), espera que o petróleo mantenha sua parte dominante na demanda de energia até, pelo menos, 2045.

Oferta de petróleo

Do lado da oferta, as decisões da OPEP+ (países da OPEP + Rússia) desempenham um papel importante na determinação da dinâmica do preço do petróleo, com a participação da organização na produção global de petróleo em 36% em 2023. Quando o grupo se reúne para concordar sobre a cotas de produção de petróleo, mercados geralmente reagem com aguda volatilidade.

O principal "adversário" desta organização são os EUA. O país é o maior produtor de petróleo, também devido ao óleo de xisto extraído por fracking (19,358 milhões de bpd), seguido pela Arábia Saudita (11,389 milhões de bpd) e Rússia (11,075 milhões de bpd).

Como os preços dos combustíveis são uma preocupação fundamental para seus cidadãos, os Estados Unidos historicamente tentam manter os preços do petróleo mais baixos, enquanto os países da OPEP+ planejam seus orçamentos estaduais com base em preços específicos do petróleo bruto e fazem tudo o que podem para deixá-los o mais próximo possível da meta ao longo do ano.

O que afeta fortemente a dinâmica do preço do petróleo são as interrupções na cadeia de suprimentos, que podem ser causadas por eventos naturais (como furacões ou terremotos), paralisações de produção devido a problemas em locais de perfuração ou refinarias e agitação geopolítica, especialmente no Oriente Médio.

Geopolítica

Guerras historicamente causaram fortes aumentos em preços do petróleo devido a interrupções de oferta e risco geopolítico aumentado. Durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973, por exemplo, o embargo ao petróleo quadruplicou os preços de US$3 para US$12, aproximadamente, por barril, disparando uma crise energética global.

Mais recentemente, a Guerra Rússia-Ucrânia de 2022 fez com que os preços disparassem para US$ 130 por barril em março de 2022, o maior valor desde 2008, já que sanções e interrupções nas exportações de um dos maiores produtores do mundo criaram temores de escassez global. Cada um desses conflitos ressalta a sensibilidade dos mercados de petróleo à instabilidade geopolítica e o papel crítico do petróleo bruto nas economias globais.

Em média, o petróleo Brent subiu 171% desde o início do conflito até seu pico, antes que as tensões diminuíssem e os preços caíssem novamente.

A alta histórica do Brent, porém, foi atingida não em conflitos, mas por uma demanda forte em confronto com uma oferta enfraquecida em 2008, antes de cair quase 70% durante a Crise Financeira Global. Isso ressalta ainda mais que as guerras só desempenham um papel do ponto de vista da restrição da oferta, dando aos fatores econômicos de produção e consumo o papel principal na determinação dos preços do petróleo.

Análise da dinâmica XBRYSD 2024

Afirmar que o petróleo teve um ano difícil seria um exagero, dada a enorme volatilidade desta commodity. Entretanto, flutuações no preço não têm sido extremas, mesmo considerando que o conflito Rússia-Ucrânia não parou de escalar, e o Oriente Médio ainda está longe de ver um fim para as hostilidades.

Na primeira metade do ano, a geopolítica esteve no centro do palco. Em abril de 2024, o petróleo Brent atingiu seu pico anual, em cerca de US$90/b. Isto foi causado por ataques de drones ucranianos em refinarias russas de petróleo, com o Irã prometendo retaliação a Israel após ataques deste Estado matarem oficiais de alta patente do Irã alocados na embaixada em Damasco, Síria.

Mais tarde, porém, preços continuaram a tendência bearish do ano anterior, à medida que dados econômicos ganhavam importância através do segundo e terceiro trimestres. Em junho, o Brent passou por uma baixa local, pressionado pela fraca demanda, pelos conflitos em declínio e pela piora da condição econômica chinesa. Além disso, no começo do mês, os membros da OPEP+ decidiram reverter os cortes nos custos de produção, começando em outubro de 2024. Todos estes sinais foram bearish para o petróleo bruto.

Assim, após uma breve recuperação em julho devido à queda nos estoques de petróleo dos EUA e aos cortes de produção das magnatas russas Lukoil e Rosneft, o Brent continuou a cair devido às preocupações econômicas globais, com os dados do NFP de julho gerando temores de uma recessão (e, portanto, temores de uma demanda por petróleo fortemente enfraquecida).

Em meados de setembro, porém, a China anunciou medidas fortes de estímulo para sua economia vacilante, impulsionando o mercado de ações chinês. Já que a China é um dos principais consumidores de petróleo, o Brent bruto voltou a subir, atingindo US$81/b em 7 de outubro.

Após esperanças por um pacote de medidas mais definidas definharem, o índice Hang-Seng baixou, perdendo 60% de seus ganhos anteriores. Tendo uma forte correlação com o sentimento econômico chinês, o Brent logo caiu.

No final de novembro, o Brent era negociado ao redor de US$73/b, não reagindo nem a maiores escaladas ou a ameaças de um conflito nuclear entre a OTAN e a Rússia, ou mesmo a um cessar-fogo entre Líbano e Israel. Esse fato indica que os fatores econômicos assumiram completamente o controle da agitação geopolítica mais ampla nas últimas dinâmicas dos preços do petróleo.

No gráfico abaixo vemos uma forte correlação do Brent bruto tanto com o S&P 500 quanto com o Índice Hang Seng (HSI).

XBRUSD em 2025: cenários possíveis

A desaceleração da atividade industrial e manufatureira da China, o maior consumidor de petróleo do mundo, é um fator significativo para a restrição da demanda. Em grande parte com base nisso, analistas de petróleo e agências como a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) e a OPEP+ revisaram as previsões de crescimento da demanda global para baixo, refletindo uma recuperação mais fraca do que o esperado na economia chinesa.

Com o crescimento da demanda projetado entre 1 e 1,5 milhões bpd para 2025, o ritmo da recuperação permanece moderado e suscetível a mais instabilidade econômica. Baseado na dinâmica de preços do petróleo bruto em 2024, também podemos assumir que eventos geopolíticos estão se tornando um fator negativo menos impactante, dando a traders possibilidades interessantes para abrirem mais negociações curtas.

Em 2025, esperamos a concretização de um dos seguintes cenários.

1. As guerras congelam pelos esforços de Trump, a guerra comercial não afeta o potencial econômico da China. Crescimento econômico global retoma com força.

Considerando os esforços recentes da administração dos EUA para apoiar a Ucrânia e elevar a escalada global, com comentários cada vez mais duros sobre a possibilidade de um conflito OTAN-Rússia ser cada vez mais real e presente, vemos a estabilização do cenário geopolítico como altamente improvável.

Entretanto, caso a administração Trump possa se resolver com seus maiores rivais geopolíticas, e a guerra de Israel contra a Palestina também arrefeça, os preços do petróleo podem experimentar um enorme impulso descendente.

Além disso, a promessa de Trump de impor tarifas à China está deixando aos participantes do mercado quase nenhuma esperança pelo melhor. Por outro lado, promessas são só promessas até que os planos sejam efetivados. Dependendo do tamanho das tarifas impostas, o efeito sobre a economia chinesa pode não ser tão perturbador.

Se a China abordasse seus problemas internos centrais, tais quais os efeitos de uma bolha imobiliária ainda em deflação, o consumo do petróleo poderia recuperar ritmo, moderando a queda brusca causada pelo fim da maior parte das guerras.

Neste cenário improvável, o Brent pode cair para US$50-US$60/b.

2. Trump consegue impedir guerras, mas inicia uma dura guerra comercial com a China. OPEP desfaz cortes de produção.

Esta é a pior previsão para o petróleo bruto em 2025.

Se o governo Trump conseguir aliviar tensões com a Rússia, e a guerra de Israel contra a Palestina arrefeça, como no cenário anterior, os preços do petróleo podem passar por uma pressão descendente significativa.

Pareado à 100% provável guerra comercial com a China, esta virada dos eventos é capaz de jogar os preços do Brent no chão. Quanto à guerra comercial, é a escala que importa aos mercados do petróleo. Trump parece seguro e imóvel sobre a necessidade de estrangular exportações chinesas para impulsionar a produção doméstica dos EUA.

Dada a crise que a economia chinesa enfrenta pelo quarto ano seguido, um confronto comercial com os EUA promete aleijar uma economia já enfraquecida. À medida que a produção industrial desacelera e as indústrias fecham, a maior parte do consumo de petróleo bruto diminuirá de tamanho, fazendo com que o Brent despenque.

Além disso, dado que países não pertencentes à OPEP, como EUA, Canadá e Brasil, estão planejando aumentar lentamente sua produção de petróleo, a OPEP+ pode ser forçada a desfazer seus cortes mais rápido do que o previsto. Isso seria para defender a participação de mercado de produção cada vez menor do cartel, ao custo da perda de lucros devido aos preços mais baixos do petróleo.

Considerando que Trump está pronto para definir uma política de "perfure, baby, perfure" para os produtores dos EUA e cortar os preços da energia pela metade, essa mudança na política da OPEP está se tornando muito mais provável a cada dia.

No fim, se tudo dito acima ocorrer, os preços do Brent estarão sujeitos a uma livre queda, talvez atingindo $30-$40/b.

3. Os conflitos aumentam, a guerra comercial enfurece, taxas muito altas por muito tempo sufocam o crescimento económico

Caso as guerras não cessem e, ao invés disso, escalem, o fator geopolítico pode se tornar dominante uma vez mais. No momento, o risco de que as cadeias de fornecimento sejam interrompidas é visto como baixo pelos participantes do mercado. Não obstante, caso as coisas saiam de controle e as refinarias iranianas ou locais de produção de petróleo e silos de reserva estratégicos sejam mirados (similar à quando a Ucrânia atingiu refinarias russas neste ano), os preços do petróleo podem subir novamente.

Em qualquer caso, eles provavelmente não permanecerão em um novo patamar alto por muito tempo, dada a desaceleração do crescimento econômico global e a relutância do Fed em reduzir as taxas rapidamente. Já que a demanda e a atividade dos produtores elevam o consumo, caso condições monetárias austeras persistam, haverá pouco para os preços do Brent fazerem a não ser cair.

Uma guerra comercial sangrenta pode fazer as indústrias chinesas se curvarem, disparando medidas de retaliação pelo governo chinês e piora das condições econômicas globais.

Se, nesse cenário, os membros da OPEP cortassem sua produção novamente, eles provavelmente sustentariam os preços, mas ao custo de perder uma parte considerável de sua participação no mercado.

No final, nesse cenário, há muitas incógnitas, mas é justo esperar um preço médio de US$ 70/b para o Brent ao longo do ano, apoiado quase exclusivamente pela maior tensão na arena política global.

4. Recessão nos EUA em meio a conflitos armados

Conflitos globais podem atenuar a desaceleração da demanda e os riscos crescentes de oferta, mas serão completamente compensados ​​caso uma recessão aconteça. Em 2008, Brent perdeu 70%, em 2020 quase 90%. Em caso de uma recessão nos EUA e continuação dos problemas com a China, há muitas opções dentre as quais escolher, ao antever o fundo do poço.

Conclusão

Nossas análises apontam que os preços do petróleo serão moldados por condições econômicas, desenvolvimentos geopolíticos e fatores do lado da demanda. Embora conflitos como as relações entre Israel e Palestina e EUA e Rússia possam causar volatilidade a curto prazo, tendências mais amplas refletem a desaceleração do crescimento em consumidores importantes, como a China, e as políticas comerciais dos EUA.

Ao mesmo tempo, as estratégias da OPEP+ e o equilíbrio entre resiliência da oferta e recuperação da demanda também desempenharão um papel. Estabilidade geopolítica e recuperação econômica podem baixar os preços, enquanto conflitos persistentes, ou interrupções, podem engatilhar picos.

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