EURUSD: Previsão 2025 para o Par Monetário Mais Líquido

Prever a dinâmica EURUSD em 2025 é tanto um desafio quanto uma oportunidade. Com o mercado Forex sendo um dos mais líquidos e voláteis no mundo, previsões precisas são muito difíceis de fazer, mas podem levar a lucros significativos. Leia este artigo para entender os fatores que influenciam o EURUSD e ganhe maiores insights sobre o ecossistema financeiro geral.
Motores de preço históricos do EURUSD
O par EURUSD, também conhecido como o "Fiber", é o instrumento mais negociado no mercado Forex global. Este par é uma pedra de toque das finanças internacionais, simbolizando a relação econômica entre duas das maiores economia do mundo: a da União Europeia e a dos EUA.
Desde sua introdução em 1999, a taxa de câmbio EURUSD serviu como barômetro para a saúde econômica, divergência de políticas e câmbios geopolíticos. Ele é ligado a fatores-chave como decisões de taxas de juros pelo Banco Central Europeu (ECB), e o Federal Reserve (Fed), estatísticas macroeconômicas amplas e sentimento de risco global.
Fatores que influenciam a dinâmica do "Fiber" vão de dados macroeconômicos a mudanças geopolíticas. Os mais relevantes dentre eles são as divergências de política monetária entre os EUA e a UE, um fenômeno conhecido como "diferencial de taxa de juros" (IRD).
Diferencial de taxa de juros
Entre 2023 e 2024, os bancos centrais dos EUA e da UE seguiram trajetórias surpreendentemente semelhantes em suas políticas de taxação de juros devido a tendências econômicas globais compartilhadas. No começo dos 2000, as taxas eram mantidas baixas para encorajar o crescimento, mas foram consequentemente aumentadas à medida que as economias começaram a se superaquecer até a crise financeira de 2008. Esta catástrofe financeira levou a rápidas reduções das taxas próximas ao nível zero, onde se mantiveram por um período extenso para impulsionar a recuperação econômica.
Em 2020, cortes mais profundos de taxas foram realizados, atingindo baixas recordes e visando amortecer as economias da pausa industrial causada pela pandemia. Entretanto, o pico da inflação durante 2022 forçou uma reversão política aguda, com o Fed e o ECB aumentando os juros significativamente para tentar conter os preços em ascensão.

Ao final de 2023 e começo de 2024, a inflação começou a se estabilizar, levando a uma mudança em política monetária. O ECB começou a cortar taxas primeiro, e o Fed seguiu em setembro de 2024.
Em geral, quando a taxa de fundos do Fed (FFR) é maior que a taxa de juros fixa do ECB (FIR), o IRD se amplia, o USD ganha em relação ao EUR e o par de moedas cai. Isto aconteceu entre 2014 e 2019, à medida que o Fed aumentou os juros vagarosamente, enquanto o ECB manteve uma política de taxa-zero. Como resultado, o EUR sofreu um grave golpe, perdendo 24% entre abril de 2014 e maio de 2015.
O contrário também é verdadeiro: se o FIR do ECB estiver mais alto que o FFR, é mais provável que o EUR se valorize, pois mais investidores buscarão colocar seu dinheiro em ativos denominados em EUR.
Política e dados econômicos
Apesar de as taxas de juros serem maiores nos EUA, ao longo de 2017, assim como antes da Crise Financeira Global de 2008, o EUR ganhou espaço sobre o USD. Isso aconteceu porque o forte crescimento econômico na Europa ofuscou as medidas de política monetária. Desde 2010, porém, o par monetário está em uma tendência descendente global, marcado por ralis agudos, mas não duradouros. No início, o euro sofreu um duro golpe com a Crise da Dívida Soberana da Zona do Euro (2010-2012), e depois caiu ainda mais por causa do Brexit (2016), o que desencadeou instabilidade política e reação econômica. Em 2017-2018, o “Fiber” recuperou 17,8% à medida que os receios de um crescente populismo antieuropeu diminuíram e o crescimento econômico foi retomado. Mais tarde, porém, o par começar a deslizar novamente.
Em 2020, ele se recuperou após a pandemia de COVID na esperança de recuperação econômica, mas depois caiu novamente quando mudanças geopolíticas entraram na briga.
Assim, se indicadores econômicos como PIB, crescimento, inflação, emprego, confiança do consumidor, etc, melhorarem, a moeda ligada a estes dados econômicos se fortalecerão. Se o oposto ocorrer, ela se depreciará. Quando a instabilidade política atinge um país, sua moeda inevitavelmente perde valor. O oposto também é verdade para cada país soberano.

Geopolítica
Um forte impacto nas moedas é historicamente causado pela agitação geopolítica. Durante períodos de maior aversão ao risco, o USD geralmente se beneficia de seu status como principal moeda de reserva do mundo. Inversamente, em ambientes de risco, o euro é geralmente apreciado, pois investidores buscam rendimentos mais altos em ativos europeus.
Com o começo do conflito russo-ucraniano em fevereiro de 2022, o EUR se desvalorizou rapidamente, pois a economia europeia é um grande consumidor de energia e a Rússia, um dos principais fornecedores de gás natural, fornecendo energia barata ao setor industrial da UE. Além disso, tensões geopolíticas deram força ao USD, levando-o a uma alta histórica de 20 anos.
After that, EURUSD bounced back, offsetting some of its earlier losses, and it has been drifting in a large consolidation channel ever since.
Análise da dinâmica EURUSD 2024
Em 2024, o EURUSD passou por um trading relativamente estável, numa franja estreita entre 1.12000 - 1.06000, refletindo a relação complexa entre políticas monetárias, tendências econômicas amplas e fatores geopolíticos.
No começo do ano, o euro se enfraqueceu enquanto expectativas dos investidores se alinharam à previsão de um corte de taxa de juros pelo ECB. Isto ocorreu em junho, quando o ECB reduziu taxas em 25 pontos-base, para 4,25%.
Enquanto isso, o Fed adiou sua flexibilização monetária até setembro, quando realizou um corte exagerado na taxa de juros de 5,50% para 5,00%. Estas diferentes linhas do tempo para ajustes de políticas influenciaram a dinâmica do par ao longo do ano.
O desempenho do EUR foi ainda mais limitado pela estagnação econômica da zona do euro, que começou com sanções impostas à Rússia em 2022 e impediu a zona do euro de obter combustível barato, aumentando assim os custos de produção industrial. A desceleração continuou em 2024, quando o crescimento do PIB permaneceu abaixo de 0,5% por trimestre.
Atividades empresariais fracas em grandes economias como Alemanha e França exacerbaram as preocupações sobre uma potencial recessão. Por exemplo, os PMIs do HCOB de manufatura e serviços da Alemanha caíram drasticamente, sinalizando vulnerabilidade econômica, particularmente no setor automotivo.
Ao final de novembro, a indústria automotiva alemã continuou seu caminho rumo ao abismo, com grandes empresas anunciando o plano de levar a produção a outros países e divulgando fortes perdas de lucro (a Audi, por exemplo, registrou -91% em ganhos, a BMW -84%, Volkswagen -64% e Mercedes-Benz -54% a/a). Além disso, o desemprego continuou crescendo pelo país, com empresas gigantes, como a ThyssenKrupp, demitindo mais de 11,000 empregados e fechando sua planta de Kreuzal-Eichen (com planos de fechar mais no ano que vem).
A França também passou por desafios semelhantes com seu setor de serviços, que tinha vista um impulso temporário com as Olimpíadas de Paris, sofrendo um declínio acentuado posteriormente.
Apesar disto, a inflação na zona do euro se moderou, caindo de uma taxa anual de 2,8% em janeiro para 2,3% em novembro após ficar para trás da fronteira dos 2% do ECB em setembro. Isso deu ao ECB espaço para adotar uma postura mais cômoda, que sustentou ganhos moderados para o euro na segunda metade do ano. Entretanto, em setembro, novas preocupações econômicas na Europa, junto a dados fracos de PMI, levaram a uma queda do euro para 1.10000. Além disso, o ECB implementou o segundo corte de taxas, influenciando ainda mais o sentimento do investidor.

Em contraste, os EUA mantiveram taxas de juros mais altas, ampliando a lacuna do IRD para o dólar e fortalecendo seu apelo, principalmente durante períodos de instabilidade geopolítica. Conflitos militares, como aqueles no Oriente Médio, levaram à demanda por ativos portos-seguros, favorecendo o dólar sobre o euro.
O último grande golpe ao EUR foi fornecido pelas eleições dos EUA. Tomando posse me janeiro, o candidato republicano Donald Trump prometeu que aumentos tarifários severos serão implementados durante seu mandato, atingindo uma indústria de exportação da UE já enfraquecida. Ao mesmo tempo, espera-se que suas políticas sejam pesadamente pró-inflacionárias, o que provavelmente manterá o Fed longe do aumento de taxas tão rápido quanto esperado, contribuindo para a expansão do IRD em favor do "Greenback". Isto fez com que o EURUSD derrapasse para sua baixa anual de por volta de 1.03660.
O que acontecerá com o EURUSD em 2025
O novo ano promete ser bem interessante para o EURUSD, já que o destino da moeda estará ligado a grandes mudanças na política exterior e interna dos EUA, eventos geopolíticos e a dinâmica das condições econômicas tanto na UE quanto nos EUA.
Baseado no que foi dito na análise acima, especialistas Headway preveem três cenários diferentes para o EURUSD em 2025.
1. A guerra russo-ucraniana termina, a economia europeia recupera, a guerra comercial de Trump não perturba o comércio global
Como já foi dito nos dois artigos anteriores desta série (XAUUSD e XBRUSD previsão para 2025), não acreditamos que um fim pacífico para os conflitos em andamento seja o cenário mais provável.
De qualquer forma, ainda há uma remota possibilidade de que, quando Trump assumir o cargo, haja algum esforço para conter a crescente escalada. Neste caso, tudo dependerá da vontade da UE e da Rússia de reatarem suas relações comerciais. Caso ambos os blocos negociassem um acordo, este provavelmente significaria combustível barato na Europa novamente.
Combustível barato contribui para a reabilitação industrial da UE após anos de dura condição econômica, impulsionando crescimento e o reavivamento da economia europeia. Ao mesmo tempo, os aumentos de tarifas de Trump não causariam muitos problemas, mas provavelmente contribuiriam para fortalecer o dólar.
Se tudo isso acontecer, o EURUSD poderá subir, possivelmente atingindo suas máximas de 2024 e até mesmo seus níveis pré-guerra. A taxa de câmbio esperada neste cenário bastante otimista estará entre 1.1200-1.1500
2. Os conflitos armados congelam, mas a guerra comercial de Trump coloca a economia europeia em crise. Um Fed agressivo fortalece ainda mais o dólar.
Se Trump ainda conseguir apagar as chamas da guerra, mas não extingui-las completamente, não haverá espaço nem vontade para a União Europeia negociar acordos de GNL com a Rússia.
Além disso, a escalada de uma guerra comercial entre os EUA e grandes países que exportam aos EUA, provavelmente fará com que o USD se aprecie fortemente, e o EUR se deprecie para compensar algumas das perdas causadas pelos aumentos de tarifas. Uma reação semelhante aconteceu com o USDCNY depois que Trump começou a impor restrições comerciais à China em janeiro de 2018.
Considerando as ameaças de Trump de impor tarifas de 100% sobre nações dos BRICS caso não abandonem sua busca pela criação de uma nova moeda de reserva que substitua o USD, um fortalecimento rápido do USD sob tais termos se torna uma realidade perigosa. Uma economia norte-americana mais forte, sustentada pelo maior apoio governamental à produção industrial local e aliada a uma economia europeia mais fraca, será um fator de baixa decisivo para o "Fiber".
Após números negativos do PMI, o EURUSD atingiu sua mínima anual em 20 de novembro de 2024. Se essa tendência persistir no ano que vem, o ECB provavelmente terá que reduzir rapidamente as taxas para níveis próximos de zero novamente, em uma tentativa de apoiar seus setores industriais e de manufatura em contração.
É provável que isso aconteça enquanto o Fed mantém uma postura mais agressiva, causada pelas políticas pró-inflacionárias de Trump. O pior cenário resultará em um dólar supervalorizado, desestabilizando o câmbio, pois os investidores estrangeiros podem achar os ativos em dólar caros demais para investir seu dinheiro.
Neste cenário, o valor esperado para o EURUSD provavelmente variará entre 1.0000-0.9500.
A recessão nos EUA leva a UE a uma maior estagnação, as guerras não permitem um processo de negociação
A economia dos EUA encara mudanças estruturais profundas. A forte dependência de empréstimos elevou a relação dívida/PIB para níveis acima dos da Segunda Guerra Mundial, destacando vulnerabilidades. A criação de empregos está atrasada em setores-chave como manufatura e serviços profissionais, sinalizando riscos de recessão.
Apesar do início da flexibilização monetária em setembro para resolver problemas do mercado de trabalho, a inflação parece estar ressurgindo. Isso provavelmente piorará sob a administração Trump, já que sua política provavelmente impulsionará o crescimento da inflação. O presidente do Fed, Jerome Powell, deu a deixa em 14 de novembro de 2024, de que maiores cortes podem não ser necessários, mas o aumento dos rendimentos dos títulos reflete as dúvidas do mercado e os temores de inflação persistente.
Somando-se às preocupações com a recessão, as reservas de caixa da Berkshire Hathaway atingiram um recorde de US$ 325 bilhões, 28% do valor de seus ativos — o maior desde 1990. A decisão de Warren Buffett de manter tal liquidez sugere preparação para grandes oportunidades ou uma crise iminente.
Caso uma recessão atinga a economia dos EUA, o USD pode se depreciar com força, mas o EUR também não será deixado incólume. Em média, o EURUSD reagiu com uma queda de -15% a -20% em tempos de instabilidade econômica aumentada. Se um cenário sombrio como esse se manifestasse, o EURUSD poderia atingir suas mínimas históricas de 2001–2002, representando uma faixa de 0,9500–0,8500 como a mais provável. No entanto, uma forte recuperação dessa queda também é provável, já que historicamente, após uma queda rápida, o “Fiber” se recuperou bastante.

Conclusão: EURUSD em 2025
Baseado na análise de dinâmicas históricas e de 2024, o resultado mais provável para o EURUSD em 2025 envolve desafios contínuos para o Euro devido a problemas econômicos estruturais na União Europeia e a potencial escalada do das políticas comerciais dos EUA sob Trump.
O cenário mais provável é que o dólar americano mantenha sua força devido aos altos diferenciais de taxas de juros e às políticas internas robustas que favorecem as indústrias locais. Enquanto isso, o euro provavelmente enfrentará pressão de vulnerabilidades estruturais, incluindo um setor manufatureiro em dificuldades e capacidade limitada de recuperação sem mudanças políticas significativas ou apoio externo, como energia barata. Como resultado, o EURUSD pode se aproximar da paridade, sendo negociado em uma faixa de 1,0000 a 0,9500 durante boa parte do ano.
Portanto, comerciantes e investidores devem se preparar para uma volatilidade maior, com atenção especial às políticas de taxas de juros e aos desenvolvimentos macroeconômicos que moldam a direção do par de moedas em 2025.
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