Notícias de Negociação Semanal: 23 a 27 de Fevereiro de 2026
A semana é importante, pois testa três pilares diferentes do ambiente macroeconômico global: a força do consumidor americano, a trajetória da inflação da zona do euro e o ímpeto industrial dos EUA. Os mercados atualmente se encontram em uma narrativa de 'aterrissagem suave' - inflação diminuindo, crescimento desacelerando, mas não colapsando, e os reguladores se movendo gradualmente em direção a cortes de taxa. Esses relatórios reforçam ou abalam essa narrativa.
USD: Confiança do Consumidor (fev)
24 de fevereiro, 17:00 horário MT
A economia dos EUA é ~70% baseada no consumo. Quando os consumidores se sentem confiantes, os gastos continuam. Quando a confiança diminui, o consumo desacelera — impactando lucros corporativos, emprego e PIB. Por isso, este indicador funciona como um sinal antecipado das tendências de demanda.
É provável que os consumidores estejam menos otimistas do que no ano passado. As pessoas podem ter maior cautela em compras de alto valor, enquanto as finanças do dia a dia permanecem relativamente estáveis. Assim, o índice pode apresentar leve moderação em relação às divulgações recentes, refletindo prudência mais do que receio.
Um resultado abaixo do esperado pode reforçar a narrativa de desaceleração do consumo. Por outro lado, os mercados podem ter uma postura mais dovish, já que o USD enfraquece geralmente após uma divulgação desse tipo. Por tanto, o XAUUSD pode avançar cerca de US$ 50. Como a divulgação ocorre no início da semana, o indicador pode definir o tom das negociações dos próximos dias.
Instrumentos impactados: EURUSD, GBPUSD, USDJPY, USDCAD e demais pares com USD.
EUR: CPI (a/a) (jan)
25 de fevereiro, 12:00 horário MT
A inflação da Zona do Euro vem desacelerando nos últimos meses, acompanhando a normalização dos custos de energia e o alívio nas pressões inflacionárias subjacentes. Entretanto, inflação de serviços e salários ainda apresentam rigidez em alguns países, e a incerteza geopolítica continua a alimentar um prêmio de risco.
Neste caso, um CPI abaixo do esperado reforçaria as expectativas de flexibilização monetária pelo BCE mais cedo, favorecendo ativos de risco. O ouro pode subir com um USD mais fraco, enquanto o EURUSD pode registrar movimentos de perda entre 100 e 170 pips. Este evento tem potencial para gerar a maior volatilidade da semana no mercado cambial. Por outro lado, uma inflação subjacente persistente manteria o BCE em modo de “dependência de dados”, pressionando o ouro e provocando oscilações no EURUSD entre 100 e 160 pips.
Instrumentos afetados: EURUSD, EURGBP, EURJPY e outros pares com EUR.
USD: PMI de Chicago (fev)
27 de fevereiro, 16:45 horário MT
A atividade industrial nos EUA desacelerou após o forte crescimento pós-pandemia, mas, mesmo assim, não entrou em colapso. As cadeias de suprimentos estão mais estáveis, enquanto a demanda se ajusta em meio a margens corporativas mais apertadas. O índice geral de sentimento empresarial tem oscilado próximo ao neutro. É provável que o PMI de Chicago apresentará um relatório neutro a ligeiramente normal, mostrando que o setor não está acelerando ao mesmo tempo.
Dados fracos reforçariam a narrativa de desaceleração, aumentando apostas em cortes pelo Fed. O ouro poderia subir entre US$30–50, enquanto o EURUSD avançaria 80–140 pips. Por outro lado, um PMI estável demonstraria que a economia está desacelerando gradualmente, e não bruscamente. Nesse caso, o ouro pode recuar entre US$25–45, enquanto o EURUSD pode se mover na mesma direção entre 90–130 pips.
Instrumentos impactados: EURUSD, GBPUSD, USDJPY, USDCAD e demais pares com USD.